Você já ouviu falar sobre depressão? Certamente que sim! De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é considerada como “Mal do Século” por ter estimativas de que até 2020 será a mais incapacitante do mundo. (Ministério da Saúde, 2017).

Psicóloga Selma Seles

Ainda segundo a OMS, no Brasil já é a segunda maior carga de incapacidade, sendo maior índice na América Latina. Já dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS) mostram que há mais de 11 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença. (Ministério da Saúde, Blog da Saúde, 2017). Ela não tem hora certa nem fator isolado, por isso, pode acometer as diferentes faixas etárias e todas as etapas, seja em crianças, jovens, adultos e idosos. Não estamos imunes às adversidades da vida.]

A depressão tem repercussões consideráveis na vida do paciente e de seus familiares, com comprometimentos expressivos, nos aspectos sociais, emocionais, profissionais e em outras áreas. Mas afinal, o que é depressão? Quais são os sintomas? Como é realizado o diagnóstico?

Qual o tratamento adequado? Vale ressaltar que ainda nos dias atuais as pessoas que sofrem dessa doença passam por deturpações e, em sua maioria, são estigmatizadas, são vistas como sinal de “fraqueza” ou “falta de vontade”. Sentem-se, muitas das vezes, constrangidas ou envergonhadas, como se pudessem por elas mesmas sair da situação em que se encontram.

CONCEITOS:

Mas a depressão não é questão apenas de “força de vontade”! Isto porque a doença é multifatorial, ou seja, vários fatores interferem no desenvolvimento desse transtorno. Segundo Silva, Ana Beatriz B. (2016), dentre eles estão: genética, estresse, causas psicológicas ou ambientais (situações vivenciadas ao longo da vida), causas biológicas, hormonais e diversos outros sistemas do organismo.

De acordo com o Código Internacional de Doenças – CID 10 – F33, a depressão está classificada como Transtorno Depressivo Recorrente, episódio atual leve, moderado e grave. Devido a isso, apresenta níveis de gravidade, sendo: Leves, Moderados e Graves.

O que diferencia os níveis de gravidade variáveis são as intensidades dos sintomas.

SINTOMAS:

Uma das formas mais frequentes da doença é a depressão conhecida como Transtorno Depressivo Maior. Ela é classificada como Transtorno do humor, pois suas principais características são as variações e mudanças de humor, cujos sintomas são:

– Sentimento de tristeza e pesar;
– Perda do interesse ou prazer (considerados antes como agradáveis),
No entanto, para identificarmos o Transtorno Depressivo Maior é necessário que um ou ambos dos sintomas acima estejam presentes e cinco ou mais sintomas descritos abaixo, com duração mínima de duas semanas:
– Labilidade emocional (choro recorrente);
– Atividade motora mais lenta ou mais agitada;
– Perda de energia ou muito cansaço;
– Irritabilidade;
– Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio;
– Alterações do sono;
– Perda ou ganho de peso;
– Sentimentos de desesperança;
– Concentração e memória;
– Sentimentos de desesperança e impotência.

Vale ressaltar que a depressão pode acarretar comorbidades, ou seja, associações de outros transtornos mentais ou mesmo de doenças físicas.

É importante compreender que devido a depressão estar diretamente ligada às variações do humor, há que se diferenciar:

TRISTEZA X DEPRESSÃO:

A tristeza é um sentimento que pode advir de circunstâncias adversas, como luto, rompimento de um relacionamento, perda de status (desemprego), ruptura de projetos, sonhos e frustações. A luz dos esclarecimentos da Dra. Silva, Ana Beatriz B. (2016), é importante compreender que: “durante o luto, a tristeza e a ansiedade, são reações imperativas e salutares diante das perdas, sejam elas de qualquer dimensão ou natureza, porém existe um tempo médio, algo em torno de dois meses para acabar”. Qual o limiar da dor? Cada um sabe a dor que leva a sua alma! A ampliação desse processo por longo tempo de maneira intensa e incapacitante terá grandes chances de transformar-se em um quadro depressivo.

A tristeza é uma emoção inerente do ser humano e nas adversidades e em alguns momentos da vida podemos senti-la, mas mesmo diante da dor e de pensamentos contraproducentes, a vida prossegue e conseguimos superar.

TRATAMENTOS:

A depressão é um estado que deprime, incapacita e esse sentimento de desesperança paralisa qualquer ação diante da vida, podendo inclusive levar ao suicídio.

Por isso, é importante o autoconhecimento, compreender os diferentes processos da vida pelos quais passamos, ter a empatia ao identificar em amigos próximos, parentes e colegas sinais de desesperança, falta de interesse em situações que causavam prazer e modificações no humor que ocasionam prejuízos sociais e emocionais consideráveis.

Procure ajuda médica e psicoterapêutica. O médico psiquiatra irá avaliar e colher informações para compreender a melhor forma de tratamento, dentre as quais, poderá ser composta por via medicamentosa e psicoterapêutica, e em nossa completitude, ao cuidar da mente, devemos zelar de todo o corpo. A prática de exercícios físicos, alimentação balanceada e a espiritualidade fazem parte de um conjunto de alternativas para o bem-estar.

Somos seres únicos, com particularidades e, como tal, nosso olhar também merece um diferencial para cada pessoa a fim de utilizar os melhores recursos disponibilizados e um tratamento adequado a cada perfil.

O acolhimento se faz necessário para aquele que sofre. A psicoterapia pode contribuir nesse processo de fortalecimento da vida do paciente, auxiliando a encontrar o enfrentamento frente às adversidades.

Parafraseando a Dra. Ana Beatriz Silva: “O tratamento dos pacientes com depressão consiste em amparar na longa jornada rumo a uma vida mais luminosa, na qual os sintomas dolorosos e os dias nebulosos se transformam em lembranças distantes”!

O assunto é abrangente e merece atenção redobrada diante dos números cada vez maiores de pessoas acometidas. É também uma questão de Saúde Pública, multidisciplinar que requer um olhar em parceria com médicos, psicólogos, familiares e amigos que deliberadamente contribuirão para amenizar, acolher e possibilitar o resgate à vida!

Selma Seles é psicóloga formada pela Universidade Nove de Julho e pós-graduanda em Psicopatologia Contemporânea e Psicossomática pelo Centro Universitário São Camilo. Carreira desenvolvida na área de Psicologia com experiência no atendimento clínico, avaliação e acompanhamento psicológico na modalidade de psicoterapia com abordagem psicodinâmica. Atualmente é Psicóloga na APMDFESP.