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6 dez, 2017 Comentários desativados em FOLHA DE SÃO PAULO publica relato de policial militar que salvou a própria vida e a do filho durante assalto em farmácia. Leia abaixo a reportagem completa.

FOLHA DE SÃO PAULO publica relato de policial militar que salvou a própria vida e a do filho durante assalto em farmácia. Leia abaixo a reportagem completa.

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‘Fui pai policial’, diz PM que, com filho de 5 meses no colo, matou assaltantes

 

RESUMO O sargento Rafael, 32, há 11 anos na PM paulista, reagiu a um assalto e matou dois ladrões a tiros enquanto segurava seu filho de cinco meses no colo. Os assaltantes entraram em uma farmácia em Campo Limpo Paulista (a 53 km de SP) numa noite de sábado (18) quando o policial e a mulher compravam leite. As imagens foram gravadas por câmeras de segurança. O caso é investigado pela PM em inquérito policial militar.

 

Abaixei para pegar uma pomada de bebê na prateleira e, quando levantei, dei de cara com o indivíduo apontando a arma na minha direção.

Não tinha visto os assaltantes entrarem. Eu e a minha mulher fomos na farmácia para comprar leite, porque ela ia voltar a trabalhar nos próximos dias e precisava complementar a amamentação.

Naquele sábado, tinha passado o dia todo estudando para a minha pós-graduação, das 9h às 18h. Queria dar uma saidinha no fim do dia, e fomos visitar meus pais. Na volta, por volta das 23h30, decidimos parar na farmácia.

Quando eu vi a arma apontada para mim, tudo aconteceu muito rápido. Foi muita adrenalina. Não lembro o que o homem falou, se foi “ergue a mão” ou “perdeu”, nem sei. Abaixei de novo, para tentar me esquivar e sair do campo de visão dele. Eu tinha duas opções: me render ou reagir.

A minha arma estava dentro da calça. Se eu me rendesse, imaginei que ele ia me revistar, encontrar a minha arma e me executar. É o que acontece, o modus operandi do assaltante. A gente sempre ouve vários casos assim.

Se eu não reagisse, talvez morresse com meu filho no colo ou talvez ele fosse baleado. Pensei em deixar meu filho com minha esposa, enfiar o bebê numa prateleira, só que não dava tempo de nada. O assaltante estava vindo na minha direção. Na hora não dá para pensar tanto, agi muito por instinto, de sobrevivência e paterno. Optei por reagir.
Saquei minha arma, levantei com o meu filho no colo, apontei para o assaltante e falei: “meu, para, é polícia, é polícia”. Foi aí que ele efetuou os disparos. Vi que ele apertou o gatilho. Por sorte, por Deus, não sei, um pouco dos dois talvez, a arma dele não funcionou. Eu não podia esperar funcionar, então atirei.

 

 

 

GATILHO

Depois, na delegacia, soube que ele apertou o gatilho cinco vezes. A munição ficou marcada com cinco furinhos, toda picotada. Mas a arma e a munição eram velhas, por isso não disparou. Ainda bem.

Quando eu atirei, minha esposa abaixou, e o farmacêutico ficou na linha de tiro. Eu tentei proteger meu filho com o corpo, dando a minha lateral para o ladrão. Atirei cinco vezes nele, enquanto andava para trás. Ele caiu.

Percebi que, enquanto me afastava de um, me aproximei do outro, que estava perto da porta. Virei e vi que ele começou a correr. Parecia estar armado, mas não estava. Efetuei dois disparos, um pegou na parede e outro o atingiu. Ele saiu da farmácia correndo, mas morreu na rua.

Quando tudo acalmou, entreguei meu filho para minha esposa. Depois desarmei o assaltante dentro da farmácia e chamei a ambulância. Ele balbuciou alguma coisa, mas não deu para entender, porque já estava morrendo.

Nunca tinha matado alguém. Ninguém gosta de tirar a vida do outro, mas era eu ou ele. Se acontecesse de novo, tomaria a mesma atitude. Tenho para mim que não fiz nenhuma maldade. O ladrão tentou roubar e teve azar. Eu defendi a minha família, as vítimas na farmácia e só.

PSICÓLOGO

A minha mulher ficou muito abalada. Outro dia fomos na pizzaria, ela lembrou e chorou de novo. Precisou passar pelo psicólogo e tomar remédios. O psicólogo disse que o bebê precisa ser acompanhado, porque já sente, mesmo tendo só cinco meses.

A minha família está apavorada. Como moro em uma cidade pequena e conheço muita gente, eles têm medo que eu seja identificado. Até o porteiro me perguntou: “Foi você, né?”. Fiquei atônito. Eu nunca falei para ninguém que era policial, e a minha esposa toma o cuidado de não pendurar a farda no varal.

Vou ter que vender o meu carro, porque a minha mãe está com medo que identifiquem o modelo pelos vídeos. A minha família sempre achou perigoso ser policial. Eu também andava de moto e sou paraquedista, então a minha mãe, coitadinha, já tem os cabelos branquinhos.

Mas não pretendo deixar a carreira de policial. Gosto muito do que faço. A população pode não achar isso, mas a gente ajuda muita gente, é gratificante. Eu morro de vontade de fazer um parto e já auxiliei muitos idosos na rua.

Chego em casa bem por ter feito esses serviços. Larguei a faculdade de química, no quarto ano, para ser policial. Também sou formado em direito e educação física. Quero continuar estudando para ser delegado ou tentar entrar para a Polícia Federal.

Com essa ocorrência, chegaram muitos e-mails, telefonemas e cartas para o batalhão. Todos os policiais que passam no meu trabalho me perguntam como foi. Eu fico meio constrangido, não gosto dessa atenção. Espero que esse assunto acabe o quanto antes. Não acho que fui herói, fui pai policial só.

Eu ainda vou ter que responder em julgamento por isso. Não é nada legal. Policial é meio preparado para essas situações, mas ficar lembrando da arma apontada para o meu filho não é bom. A imagem ficou gravada na minha cabeça, foi a coisa mais forte.

Já estive em muito tiroteio, mas essa foi a pior coisa que eu vivi, porque estava com o meu filho. É o meu primeiro, a vida da gente muda, é amor incondicional. Inclusive estou vendendo a minha moto, você quer comprar? Estou com medo de sofrer um acidente. Gosto muito de moto, mas quero estar aqui para ajudar o pequenininho.

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

 

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