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26 jun, 2017 Comments: 0

“Ser policial militar é missão, sacerdócio”, afirma Comandante-Geral da Polícia Militar, em entrevista exclusiva para a APMDFESP

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Coronel PM Nivaldo Cesar Restivo, Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Em 17 de março, o Coronel PM Nivaldo Cesar Restivo se tornou o Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Aos 52 anos, esse policial que ingressou na corporação com apenas 16 anos, chefia mais de 93 mil homens e mulheres que integram a corporação. Mestre e Doutor em Ciências Policiais pelo Centro de Altos Estudos de Segurança (CAES), da PMESP, também é Bacharel em Ciências Jurídicas Sociais e possui os cursos de Policiamento em Eventos, Controle de Distúrbios Civis, Instrutor de Tiro, Operações Especiais, além do Curso Especial de Segurança de Autoridades e Dignitários. Saiba mais sobre ele lendo essa entrevista exclusiva para a APMDFESP.

APMDFESP: O senhor já tem 36 anos de carreira. Como e por que ingressou na Polícia Militar?

Coronel PM Nivaldo Cesar Restivo: Ingressei Academia de Polícia Militar do Barro Branco aos 16 anos, por influência familiar. Meu pai é Sargento aposentado e tem três irmãos, meus tios, também policiais militares aposentados. Convivi no meio de quatro PMs e isso despertou o interesse pela profissão.

Que momentos que considera mais marcantes em sua carreira?

A PM oferece inúmeros momentos assim. Mas a primeira ocorrência atendida a gente não esquece. E foi evitar o linchamento de um infrator preso por populares, no centro da cidade, quando trabalhava no 13° Batalhão. Mas cada nova unidade, desafio, a gente não esquece. Me marcou bastante quando fui comandar o COE, já como capitão. Fazer o Curso de Operações Especiais, no COE também, é algo inesquecível. O tempo passou e, em determinado momento, fui chamado para comandar a Rota. Isso me marcou muito e por tudo o que significa a oportunidade única de comandar um batalhão dessa magnitude.

 

Me conte sobre uma ocorrência que ficou na memória.

Em 2012, eu já era comandante do 4° Batalhão de Choque, que engloba o COE e o GATE e, na época, o Canil também. Foi a primeira ocorrência com reféns na qual eu estava à frente do Batalhão. Era sábado de Carnaval e um indivíduo entrou na casa da ex-namorada, fez de refém a própria moça, o pai dela que era um senhor idoso e uma criança. Fomos para lá juntamente com as equipe do GATE. O trabalho começou pela manhã, levou mais de quatro horas. O indivíduo estava alterado por causa de consumo de entorpecentes, álcool e ameaçava a todo instante a vida dos reféns. Chegou a falar que ia cortar a orelha da criança de 2 anos. Ele liberou o gás do botijão do fogão e colocou fogo no ambiente. Houve explosão, as telhas foram todas arrancadas. Simultaneamente houve a invasão do ambiente e, ao final, ele estava preso e as três vítimas foram liberadas. O senhor idoso teve queimaduras decorrentes da explosão, mas todos foram salvos. A Polícia Militar fez o que ela se propõe: preservar vidas e aplicar a lei aos infratores.

Por que essa história o marcou?

Pela dificuldade. A ocorrência se prolongou no tempo. Foram mais de quatro horas de negociação. E a presença de crianças sempre desperta algo diferente no policial. A maioria tem filhos, sobrinhos.

Qual das funções exercidas pelo senhor foi a mais desafiadora? Olhando seu currículo imaginei que seria atuar na corregedoria.

A corregedoria foi, de fato, desafiadora. Na época, trabalhei na seção que apura infrações administrativas e penais praticadas por policiais militares e também cuidava de PMs em dificuldades diante de ameaças, vítimas de homicídios ou algo do tipo. Mas reitero que em todas as movimentações em minha carreira, a que me marcou mais foi a saída do Comando  do 4° Batalhão de Choque para ser o Comandante do 1° Batalhão de Choque, a Rota.

Por quê?

Por conta do desafio. Em que pese já ter sido comandante de Companhia na Rota um tempo antes, comandar um Batalhão com a importância estratégica que é a Rota para o comando da polícia e a população de São Paulo, imaginei que o desafio seria muito maior. Na verdade, foi grande. Mas me tranquilizei muito rápido porque sabíamos exatamente o que tínhamos em mãos: policiais muito bem preparados, pessoas dedicadas, que se doam para fazer algo que gostam. Isso facilitou muito minha tarefa.

O que é ser policial militar hoje?

Significa estar comprometido com uma causa e fazer o máximo que puder para melhorar a vida dos outros. Ajudar pessoas que você não conhece e que provavelmente nunca mais encontrará na sua vida. E é a única profissão em que o servidor, se for necessário, entrega o bem maior que ele tem, a própria vida, para que a de uma outra pessoa seja preservada. Ser policial militar é missão, sacerdócio.

Quais são as características indispensáveis para um bom policial militar?

Inicialmente tem que ter a consciência de que ele não vai se beneficiar da profissão. Pelo contrário: beneficiará outras pessoas com ela. É preciso ter esse senso de fazer bem ao próximo, de ajudar as pessoas, gerenciar conflitos. E a necessidade de treinamento constante, de aperfeiçoar cada vez mais o seu trabalho. E a consciência que a macarronada dele não é no domingo e, sim, na segunda porque nesse dia, muitas vezes,  ele vai estar trabalhando para que outras pessoas possam comer sua macarronada em paz.

Como é comandar mais de 93 mil policiais militares?

Muito gratificante. Nossa instituição se propõe a fazer o bem. Estar à frente de pessoas comprometidas com essa causa é algo que só nos enche de orgulho. Temos várias especialidades dentro da PM: o Policiamento Ambiental, Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário, Policiamento de Choque, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar que é uma fração da PM e tem uma aceitação popular muito grande. Me sinto privilegiado de poder pertencer a uma instituição dessa grandeza com esses propósitos.

O senhor acabou de assumir.  Tem algum plano de mudanças em mente?

Algumas diretrizes foram estabelecidas durante a transição do comando e definimos algumas linhas. A intenção é priorizar o trabalho operacional e valorizar o policial que está na ponta da linha, fazendo o primeiro atendimento da população. Esse apoio se reverte em oferecer condições dignas de trabalho, equipamentos adequados para proteção, viaturas que comportem o tipo de atividade dele, cursos de aperfeiçoamento. Tudo o que envolve a atividade operacional entendo que deva ser privilegiado porque é a essência da Polícia Militar.

Tem algo em mente referente ao policial militar com algum tipo de deficiência? 

Entendo perfeitamente que é necessário que sejam valorizados porque a maioria se encontra nessa situação em virtude de ter feito um atendimento em algum lugar nas ruas. Nada mais justo que reconhecer o esforço, a doação que essa pessoa fez. Precisamos dar tratamento adequado, especializado para tentar recuperar a pessoa. E se não for possível, oferecer condições para que ela se sinta valorizada e ainda pertencendo à instituição que a acolheu na entrada. Estamos estudando, temos grupos para fazer propostas ao governo do Estado e aproveitar esses profissionais que já são qualificados. Não precisamos ensinar nada a eles. E temos de reconhecer o esforço que eles fizeram para a Polícia Militar e a sociedade.

Como o senhor conheceu a APMDFESP?

Quando fui comandar o COE, que fica exatamente em frente à sede. Não tinha conhecimento do que era até chegar lá. Fui conhecer, achei o trabalho fantástico. O que fazem ali certamente nenhuma outra associação policial militar faz. Achei magnifica a proposta e, antes de uma semana de comando do COE,  já tinha me associado à APMDFESP. Isso foi em 2005. Já precisei de um par de muletas para minha esposa que fez uma cirurgia no pé e fui prontamente atendido. E muitas pessoas a gente conhece que já precisaram de lá.

Como o senhor avalia o treinamento do Policial Militar do Estado de São Paulo?

Não tenho dúvidas de que temos a melhor Policia Militar do Brasil. O treinamento da nossa tropa, do nosso aluno que está ingressando é completo. São inúmeras matérias abordando vários aspectos necessários ao desempenho da profissão. Eles têm aula de direito, de direitos humanos, de tiros na preservação da vida, de defesa pessoal. Tudo o que entendo necessário e oportuno para que ele desempenhe bem o seu papel está no currículo da escola de formação de soldados. Obviamente que isso é muito dinâmico e, anualmente, a gente faz estudos para verificar o que pode ser corrigido, melhorado, incluído ou retirado sem comprometimento do desempenho profissional. Nossa busca é incessante, contínua para poder formar melhor o policial e fornecer um serviço de melhor qualidade para a população.

E quanto à presença de mulheres na Polícia Militar?

São mais de 10 mil mulheres na PM.  E com tendência a aumentar porque hoje não há diferenciação entre candidato masculino e feminino. Antigamente tínhamos quadro de policial feminino e de policial masculino. Hoje temos quadro de policiais. Não há vagas destinadas à mulher. Basta ela ser bem classificada dentro do número de vagas que ela ingressará na PM.

 

E  podem ocupar qualquer posto?

Temos, hoje, pessoas do sexo feminino ocupando todos os cargos, de Soldado a Coronel. Temos mulheres que comandam 3.500 homens. Não há restrição. Podem trabalhar em qualquer lugar da Polícia Militar. Elas pilotam helicópteros na polícia, andam a cavalo, conduzem cão, dirigem viatura. Não há restrição de qualquer natureza com relação a isso. Óbvio que a gente precisa avaliar o componente físico também. O Comando de Operações Especiais (COE), por exemplo, é uma tropa que vai se deslocar para fazer busca e resgate de pessoas em mata, patrulhamento de alto risco. É necessário um esforço físico muito maior. Não seria conveniente para uma mulher. Não que ela não pode. Ela pode. Mas podemos poupá-la de tudo isso.

Não seria interessante abrir mais os portões para que a sociedade conheça melhor também esse outro lado?

Uma das diretrizes de comando que estabelecemos quando fomos alçados ao cargo de Comandante-Geral é a proximidade da polícia com a comunidade. Achamos indispensável, essencial, necessária.  A polícia recebe 40 mil ligações para o 190 na capital, diariamente. Dessas ligações, mais de 60 por cento são de natureza social e não policial. Recentemente tivemos, em um único fim de semana, um parto em Campinas e outro na Zona Leste da capital. Em 2015, 57 crianças nasceram no banco de trás de viaturas que fazem patrulhamento. Eram PMs que estavam levando proteção à sociedade e que se viram diante de uma situação que exigiu intervenção imediata. Temos o canil da PM,  que é algo muito simpático,  e a gente recebe a população para visita. Todos os batalhões são orientados para fazer eventos para a valorização profissional e convidamos escolas para que as crianças cantem o Hino Nacional com a gente, hasteiem a bandeira e, assim, se despertem os valores cívicos.  Dá para melhorar? Obvio, dá. Precisamos incrementar tudo isso para fazer uma interação completa. Sociedade e polícia são coisas indissociáveis: uma precisa da outra independente do clima que se vive. Nossa intenção é sempre aproximar e oferecer a possibilidade nos conhecermos melhor.

Também estão abrindo as portas para que a imprensa entre conheça melhor como funciona a Polícia Militar do Estado de São Paulo?

Não somos avessos a críticas. Pelo contrário. Ela nos fortalece, nos faz crescer, nos corrige. Mas precisa ser destinada à correção. A crítica pura e simples não nos auxilia em nada. Não vi, por exemplo, nenhum jornal ou emissora destacar aqueles dois partos que foram feitos por PMs. Em contrapartida, se há um desvio de conduta profissional de um policial na rua,  isso é explorado.

Há alguma diretriz no sentido de trazer a imprensa para dentro da PM?

Sem dúvida. Mandamos para todos os órgãos de impressa essa história dos partos, por exemplo, e não houve a publicação. Temos um programa que é colocar o jornalista para realizar o exercício do Método Giraldi, a execução do tiro de proteção da vida, no fim de semana. São dois dias no stand de tiro para que eles vejam a dificuldade que é identificar o problema, decidir o que fazer e qual será a ação diante daquilo. Depois que acontece há muito tempo para fazer aquilo. Mas na hora, são frações de segundo para identificar, decidir e agir. É para que eles vejam que nem sempre uma não conformidade verificada nas ruas tem origem na intenção deliberada do policial de fazer a coisa errada.  Procuramos sempre acertar. Óbvio que toda vez que você coloca o componente humano numa relação, está sujeito aos desvios da natureza humana. Mas para isso temos mecanismo de correção de uma Corregedoria forte e atuante que procura tirar o mau profissional, coibindo desvios éticos e profissionais. Inclusive quando erramos, erramos tentando acertar. Isso é essencial para que quem vai noticiar um fato saiba que, temos dificuldades, óbvio, mas que sempre procuramos acertar.

 

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