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Nota de Esclarecimento

Nos últimos quatro anos, respeitando o fato de que, apesar de todos os esforços não apenas de nossa Associação, mas de todas as outras entidades representativas dos Policiais Militares do Estado de São Paulo, o Governador tem se mostrado insensível às nossas necessidades e deixou a Corporação durante todos esses anos sem sequer o reajuste da inflação, nós também não alteramos o valor da mensalidade da APMDFESP, embora nossos fornecedores não tenham tido a mesma complacência conosco.

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“ETERNOS GUERREIROS” 2017

Eterno Guerreiro
Em solenidade realizada na última sexta-feira, 20 de outubro, no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a APMDFESP fez a entrega da medalha “Eterno Guerreiro” a 11 homenageados, civis e militares, durante a comemoração do Dia do Policial Militar Portador de Deficiência.

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FOLHA DE SÃO PAULO publica relato de policial militar que salvou a própria vida e a do filho durante assalto em farmácia. Leia abaixo a reportagem completa.

minha história

 

‘Fui pai policial’, diz PM que, com filho de 5 meses no colo, matou assaltantes

 

RESUMO O sargento Rafael, 32, há 11 anos na PM paulista, reagiu a um assalto e matou dois ladrões a tiros enquanto segurava seu filho de cinco meses no colo. Os assaltantes entraram em uma farmácia em Campo Limpo Paulista (a 53 km de SP) numa noite de sábado (18) quando o policial e a mulher compravam leite. As imagens foram gravadas por câmeras de segurança. O caso é investigado pela PM em inquérito policial militar.

 

Abaixei para pegar uma pomada de bebê na prateleira e, quando levantei, dei de cara com o indivíduo apontando a arma na minha direção.

Não tinha visto os assaltantes entrarem. Eu e a minha mulher fomos na farmácia para comprar leite, porque ela ia voltar a trabalhar nos próximos dias e precisava complementar a amamentação.

Naquele sábado, tinha passado o dia todo estudando para a minha pós-graduação, das 9h às 18h. Queria dar uma saidinha no fim do dia, e fomos visitar meus pais. Na volta, por volta das 23h30, decidimos parar na farmácia.

Quando eu vi a arma apontada para mim, tudo aconteceu muito rápido. Foi muita adrenalina. Não lembro o que o homem falou, se foi “ergue a mão” ou “perdeu”, nem sei. Abaixei de novo, para tentar me esquivar e sair do campo de visão dele. Eu tinha duas opções: me render ou reagir.

A minha arma estava dentro da calça. Se eu me rendesse, imaginei que ele ia me revistar, encontrar a minha arma e me executar. É o que acontece, o modus operandi do assaltante. A gente sempre ouve vários casos assim.

Se eu não reagisse, talvez morresse com meu filho no colo ou talvez ele fosse baleado. Pensei em deixar meu filho com minha esposa, enfiar o bebê numa prateleira, só que não dava tempo de nada. O assaltante estava vindo na minha direção. Na hora não dá para pensar tanto, agi muito por instinto, de sobrevivência e paterno. Optei por reagir.
Saquei minha arma, levantei com o meu filho no colo, apontei para o assaltante e falei: “meu, para, é polícia, é polícia”. Foi aí que ele efetuou os disparos. Vi que ele apertou o gatilho. Por sorte, por Deus, não sei, um pouco dos dois talvez, a arma dele não funcionou. Eu não podia esperar funcionar, então atirei.

 

 

 

GATILHO

Depois, na delegacia, soube que ele apertou o gatilho cinco vezes. A munição ficou marcada com cinco furinhos, toda picotada. Mas a arma e a munição eram velhas, por isso não disparou. Ainda bem.

Quando eu atirei, minha esposa abaixou, e o farmacêutico ficou na linha de tiro. Eu tentei proteger meu filho com o corpo, dando a minha lateral para o ladrão. Atirei cinco vezes nele, enquanto andava para trás. Ele caiu.

Percebi que, enquanto me afastava de um, me aproximei do outro, que estava perto da porta. Virei e vi que ele começou a correr. Parecia estar armado, mas não estava. Efetuei dois disparos, um pegou na parede e outro o atingiu. Ele saiu da farmácia correndo, mas morreu na rua.

Quando tudo acalmou, entreguei meu filho para minha esposa. Depois desarmei o assaltante dentro da farmácia e chamei a ambulância. Ele balbuciou alguma coisa, mas não deu para entender, porque já estava morrendo.

Nunca tinha matado alguém. Ninguém gosta de tirar a vida do outro, mas era eu ou ele. Se acontecesse de novo, tomaria a mesma atitude. Tenho para mim que não fiz nenhuma maldade. O ladrão tentou roubar e teve azar. Eu defendi a minha família, as vítimas na farmácia e só.

PSICÓLOGO

A minha mulher ficou muito abalada. Outro dia fomos na pizzaria, ela lembrou e chorou de novo. Precisou passar pelo psicólogo e tomar remédios. O psicólogo disse que o bebê precisa ser acompanhado, porque já sente, mesmo tendo só cinco meses.

A minha família está apavorada. Como moro em uma cidade pequena e conheço muita gente, eles têm medo que eu seja identificado. Até o porteiro me perguntou: “Foi você, né?”. Fiquei atônito. Eu nunca falei para ninguém que era policial, e a minha esposa toma o cuidado de não pendurar a farda no varal.

Vou ter que vender o meu carro, porque a minha mãe está com medo que identifiquem o modelo pelos vídeos. A minha família sempre achou perigoso ser policial. Eu também andava de moto e sou paraquedista, então a minha mãe, coitadinha, já tem os cabelos branquinhos.

Mas não pretendo deixar a carreira de policial. Gosto muito do que faço. A população pode não achar isso, mas a gente ajuda muita gente, é gratificante. Eu morro de vontade de fazer um parto e já auxiliei muitos idosos na rua.

Chego em casa bem por ter feito esses serviços. Larguei a faculdade de química, no quarto ano, para ser policial. Também sou formado em direito e educação física. Quero continuar estudando para ser delegado ou tentar entrar para a Polícia Federal.

Com essa ocorrência, chegaram muitos e-mails, telefonemas e cartas para o batalhão. Todos os policiais que passam no meu trabalho me perguntam como foi. Eu fico meio constrangido, não gosto dessa atenção. Espero que esse assunto acabe o quanto antes. Não acho que fui herói, fui pai policial só.

Eu ainda vou ter que responder em julgamento por isso. Não é nada legal. Policial é meio preparado para essas situações, mas ficar lembrando da arma apontada para o meu filho não é bom. A imagem ficou gravada na minha cabeça, foi a coisa mais forte.

Já estive em muito tiroteio, mas essa foi a pior coisa que eu vivi, porque estava com o meu filho. É o meu primeiro, a vida da gente muda, é amor incondicional. Inclusive estou vendendo a minha moto, você quer comprar? Estou com medo de sofrer um acidente. Gosto muito de moto, mas quero estar aqui para ajudar o pequenininho.

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

 

REPORTAGEM DO ‘ESTADÃO” CONFIRMA: UM POLICIAL É MORTO A CADA 5 DIAS NO ESTADO

Um policial militar é morto a cada 5 dias no Estado de SP

Foram 1.147 assassinatos desde 2001 e 43 só neste ano; número de feridos passa de 3 mil em 30 meses

  • O Estado de S. Paulo.
  • 3 Dec 2017
  • Marcelo Godoy / TEXTOS Werther Santana / FOTOS

Reabilitação difícil. O soldado Gilson Ribeiro durante sessão de fisioterapia: ele foi atacado por bandidos durante a folga e ficou paraplégico

Desde 2001, 1.147 policiais militares foram assassinados no Estado de São Paulo, o equivalente a dois batalhões, informa Marcelo Godoy. Só em 2017, até outubro, 43 PMs foram mortos, número que supera a média mensal dos dois últimos anos. A grande maioria, ou 85%, é assassinada na folga e metade é vítima de atentados. Os dados são da própria PM, que também contabiliza um grande contingente de feridos: 3.131 homens foram afastados por esse motivo desde 2015. “Nós somos treinados para ser super-heróis, mas na verdade nós não somos”, resume o soldado Gilson Ribeiro, de 36 anos, que ficou paraplégico depois de ser atacado por bandidos.


O papel está ali, colado na parede branca de mármore. “Papai, obrigada por toda a alegria que você me passou, por toda a hora que você passou ao meu lado para me proteger. E, pai, eu estou com muita saudade de você.” A letra de forma da carta escrita com uma canetinha roxa já está um pouco desbotada. A menina escreveu em 2014 para o pai, o soldado Fernando Gomes Kaczmarek Correa. Ele era um policial. Um grupo de homens ouve a leitura que dela faz em voz alta o capitão Ricardo Salvi, da Polícia Militar. Todos estão no mausoléu da corporação, no Cemitério do Araçá, na zona oeste de São Paulo.

A autora da carta é filha de um dos 1.147 policiais militares assassinados desde 2001 no Estado, um efetivo equivalente a dois batalhões inteiros da corporação. É como se a cada cinco dias um policial fosse morto em São Paulo. O pai de Sophia – o soldado Correa – era patrulheiro rodoviário. Estava com um colega na Rodovia dos Imigrantes, às 3h30 do dia 14 de dezembro de 2013, quando fez sinal para um carro parar. Ao caminhar para abordá-lo, apareceu um Honda preto, que o atropelou. O motorista fugiu e, 14 quilômetros adiante, furou um bloqueio policial, na Baixada Santista.

A maioria da audiência do capitão Salvi é composta de novatos, recém-chegados à 6.ª Divisão da Corregedoria da PM, o setor responsável por prender agressores e assassinos de policiais no Estado. O ritual da leitura prossegue: “Obrigada por tudo o que você me deu, pai. Eu te amo e sempre vou te amar”. Esguio, de fala pausada, o capitão é um homem habituado com essas histórias. Ele prossegue a leitura: “Eu fiz essa carta para lembrar de tudo o que a gente passou junto”. A carta termina com desenhos infantis, representando o pai, a viúva, Mara, e a filha, Sophia, todos rodeados de beijos e corações em torno da frase da menina, que era seu desejo. “Feliz dia dos pais!!!”

Outras tantas cartas estão ao lado das fotos de outros tantos pais no mausoléu. Quase sempre dos chamados praças – de soldados a subtenentes –, base

“Queria ter dito muito mais ‘eu te amo’ a você. Pai, sei que é tarde para poder dizer, mas sei que você sempre soube do meu amor.”

Carta da família do soldado Francisco Diamazum Vieira da hierarquia da corporação. Compõem a maioria de outro número enorme: o dos policiais feridos todos os anos. A violência que atinge os PMs fez com que 3.131 homens e mulheres fossem afastados do trabalho por terem sido atingidos por tiros ou facadas ou envolvidos em capotamento de viaturas, atropelados por bandidos ou vítimas de outros acidentes no serviço ou na folga, de 2015 até agora.

Reunido pelas Juntas Médicas da Diretoria de Saúde da corporação, esse número, ao lado do total de mortos no período computado pela Corregedoria, ajuda a traçar um retrato inédito da violência que atinge esses profissionais. Durante seis meses, o Estado acompanhou as histórias de policiais que enfrentaram a morte e sobreviveram e do grupo que apura ameaças, agressões e assassinatos de policiais. São casos como o do soldado Gilson Ribeiro, de 36 anos, que foi baleado quando tentava defender-se de ladrões durante a folga. “Nós somos treinados para ser super-heróis, mas na verdade não somos”, disse. Ribeiro faz fisioterapia neurológica, no Centro de Reabilitação da PM. A bala que o acertou o deixou paraplégico. Era 2014. Ele trabalhava no patrulhamento das ruas.

Folga. De folga também estavam, de acordo com os números das PM, 85% dos policiais assassinados neste século no Estado. Neste ano, dos 43 PMs assassinados em São Paulo, só 3 foram mortos durante o serviço – 4,3 casos por mês, ante 4 no ano passado e 3,8 em 2015. A violência contra policiais pode ser medida ainda pelas medalhas Cruz de Sangue dadas pela PM.

Elas são de três tipos: ouro, prata e bronze. A de grau ouro é póstuma, a de prata é para casos de invalidez e a de bronze, para policiais feridos em serviço ou folga em defesa da sociedade. Criada em 1998, até hoje foram concedidas 1.145 – 291 de ouro, 63 de prata e 791 de bronze.


80% dos crimes são esclarecidos, diz Corregedoria

  • O Estado de S. Paulo.
  • 3 Dec 2017
  • / M.G.

Os 30 homens do grupo da Corregedoria da PM responsável por caçar matadores de policiais detiveram 177 acusados desses crimes de janeiro de 2015 a setembro deste ano – uma detenção a cada cinco dias. Pela estimativa do major Flávio César Fabri, chefe do grupo da Corregedoria, 80% dos crimes contra policiais são esclarecidos.

Responsável também por investigar policiais corruptos e assassinos, o coronel Marcelino Fernandes da Silva, comandante da Corregedoria, afirma que o cumprimento da lei e o controle da letalidade – de janeiro de 2015 a setembro deste ano, 2.278 pessoas foram mortas por PMs no Estado – têm o efeito de parar a espiral de vingança que consome as vidas dos agentes da corporação. “Quando o policial age fora da lei, ele ‘legitima’ que o marginal execute policiais.”

O coronel estava em seu gabinete, no bairro da Luz, no centro de São Paulo, quando recebeu em 18 de agosto dois áudios por meio de um aplicativo de conversa criptografadas. Eles continham um pedido de socorro que se espalhou pelos grupos de policiais. “Alô, eu sou a mulher do Felipe Henry, a gente acabou de ser assaltado. Atiraram nele, alguém me ajuda aqui, por favor!”

Felipe Henry Pereira Matos tinha 23 anos e apenas dois meses como policial. Havia decidido buscar a mulher, Luana Martins de Almeida Matos, e o filho de 3 meses, que moravam em Goiás. Foi em seu novo lar, no Grajaú, na zona sul, que tudo aconteceu.

O policial chegou com a família às 6h30 e foi abordado por dois bandidos. Quando perceberam a arma dele, o levaram para a garagem e o mataram com um tiro na nuca. Marcelino escuta depois outro áudio da viúva. “Socorro, socorro, ele não reagiu e mataram ele.” O coronel começa a chorar. “Isso aconteceu na frente da mulher e do filho”, conta, antes de retomar o fôlego. “Não temos espírito de vingança, mas de justiça. Nada vai trazer de volta a vida do policial.”


Casos se concentram na Grande SP e na Baixada Santista

Choque foi o que perdeu mais entre as tropas especializadas; PM faz palestras para orientar agentes sobre riscos

  • O Estado de S. Paulo.
  • 3 Dec 2017
  • / M.G.

Mapeamento feito pela Corregedoria da PM mostra que a cidade de São Paulo, que concentra cerca de 30 mil do 88 mil PMs do Estado, registra quase metade dos casos de policiais assassinados no Estado – 494 ou 43% do total – de 2001 a 2017. Outros 207 homens e mulheres foram mortos nos demais municípios da Grande São Paulo (18%).

No interior, é a Baixada Santista que lidera essa estatística, com 83 policiais vítimas de homicídio, seguida pela região de Campinas (59 casos). Entre as tropas especializadas, o Comando de Policiamento de Choque (CPChoq) foi o mais atingido pela violência, perdendo 60 homens. O coronel Marcelino Fernandes da Silva, comandante da Corregedoria, lembra que Baixada, Campinas e Vale do Paraíba foram as regiões do Estado escolhidas para receber os primeiros Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baeps), tropas que atuam como uma espécie de Rota do interior do Estado.

“A Baixada tem uma geografia parecida com o Rio e problemas semelhantes”, diz ele. A espiral de vinganças que vitimou policiais e bandidos encontrou ali, entre 2010 e 2012, um terreno fértil, mesclando a ação de um grupo de extermínio – Ninjas – e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Aposta. Para diminuir a violência contra os policiais, a Polícia Militar aposta em palestras sobre como seu homem deve se comportar no horário de folga e quais os cuidados deve tomar ao usar celular ou ao sair de casa, além de controles de seus procedimentos operacionais. “Revemos os procedimentos operacionais padrão toda vez que encontramos uma falha. Fazemos esse acompanhamento diariamente, pois nada é mais importante do que a vida de quem está trabalhando”, afirma o comandante geral, coronel Nivaldo Restivo.

O comandante conta que a corporação ainda luta contra um velho inimigo dos policiais: o espírito de super-homem. “Essa cultura (do super-homem) era mais comum no passado. Hoje buscamos treinar nossos homens para privilegiar o emprego da técnica. Ele tem de saber que o fato de ele estar de colete à prova de bala, por exemplo, não o faz invulnerável. Ele tem de saber que corre o mesmo risco que qualquer pessoa.”


 

Só 5,9% das mortes têm ligação com serviço

A maioria dos policiais mortos no Estado foi vítima de atentados (49,5%) ou de roubos (21,4%), conforme as investigações feitas pela Corregedoria

  • O Estado de S. Paulo.
  • 3 Dec 2017
  • Marcelo Godoy

Suzana vestiu uma blusa preta e uma calça jeans na quinta-feira. Era a única mulher em trajes civis a receber uma medalha na cerimônia no 2.º Batalhão da PM, na zona leste de São Paulo. Estava acompanhada pelo filho de 14 anos, por um cunhado e uma prima. Ela e o cabo Jair de Lima Rodrigues, de 42 anos, foram casados por 20 anos. Há sete meses, ele foi assassinado.

Seu marido estava no Logan do serviço de inteligência do batalhão quando um homem se aproximou de bicicleta. Pouco depois, outros passaram pelo carro – cujos vidros tinham uma película escura – e tentaram ver o que havia ali dentro.

O desfecho foi rápido. Um dos bandidos gritou. O outro largou a bicicleta, sacou uma pistola, correu e voltou para atirar. As balas perfuraram o parabrisa do Logan. Um dos disparos acertou o peito do cabo. O tiro foi fatal.

As investigações da Corregedoria mostram que só 5,9% dos assassinatos de policiais têm como motivo algum fato ligado à ocorrência que o agente atendia ou serviço que ele fazia na hora do crime. A maioria dos policiais mortos no Estado foi vítima de atentados (49,5%) ou de roubos (21,4%).

Os dados, que envolvem o período entre 2012 e 2017, revelam ainda que desentendimentos (2,2%) e crimes passionais (1,4%) ocupam pouco espaço nessa estatística – 19,4% permanecem com motivação desconhecida. “Há infratores que, desejosos de entrar para uma facção, decidem matar um policial para serem respeitados no mundo do crime”, diz o major Flávio César Fabri, cujo trabalho é prender matadores de PMs.

Para o coronel Marcelino Fernandes da Silva, comandante da Corregedoria da PM, “a morte ou a tentativa de homicídio acontece principalmente em decorrência da profissão”. “Esse foi o caso do cabo Rodrigues.”

Telefonema. “Ele era um pai e um marido maravilhoso”, afirma a viúva. No dia do crime, ela havia saído de casa, quando o telefone tocou. Era seu tio, pedindo que voltasse logo, pois havia chegado uma correspondência em casa que ela precisava assinar. “Pensei: alguma coisa aconteceu.” Era 5 de abril.

Suzana ainda espera receber o seguro de R$ 200 mil pela morte do marido a ser pago pela PM. Enquanto isso, conta com a ajuda dos colegas do marido para levar a vida adiante. “Se não fossem eles, não teria conseguido fazer nada.” Na quinta-feira, ela recebeu do batalhão a medalha concedida ao seu marido.

Rodrigues tinha 15 anos de corporação e estava sentado no banco do passageiro do carro. Ao seu lado, o soldado Cláudio Brito Fernandes, de 40 anos, também do 2.º Batalhão, uma unidade tradicional da PM, conhecido como Dois de Ouro. O cabo e o colega trabalhavam sem farda, fazendo investigações no serviço reservado. Os dois verificavam uma informação do disque-denúncia – Brito ainda tentou socorrê-lo.

O autor do tiro que matou Rodrigues – identificado como Wesley Conrado da Silva, de 22 anos – seria morto pouco depois por policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Outros três suspeitos foram detidos, mas acabaram soltos por falta de provas.

No dia seguinte, no velório no batalhão, enquanto amigos se abraçavam, o silêncio no salão de entrada era interrompido apenas pelo choro surdo e seco da viúva. Às 8h50, chegou ao lugar o comandante-geral da PM, Nivaldo Restivo. “Eu estava no Rio quando soube.” Era o primeiro, mas não o último enterro de um policial a que Restivo compareceria no ano – seriam sete até 30 de novembro.

Seis coroas de flores cercavam o caixão do cabo. Um pastor começou a rezar. E a reza virou elogio fúnebre. “Jair doou sua vida à sociedade”, disse o pastor Joades.

O cortejo saiu da zona leste em direção ao Mausoléu da PM, no Cemitério do Araçá, na zona oeste. É ali que são enterrados os policiais mortos em serviço. “Nunca esquecemos. A vida desses homens faz parte de nossa memória”, afirmou o tenentecoronel Márcio Santiago, comandante do 2.º Batalhão.


‘Só vou dar um tiro na cabeça do seu marido’

  • O Estado de S. Paulo.
  • 3 Dec 2017
  • / M.G.

Era 6 de setembro quando o major Flávio César Fabri e uma dúzia de seus homens se preparavam logo cedo para capturar um matador de policial no limite entre Santo André e Mauá, na Grande São Paulo. Foram em três carros disfarçados. Cada veículo ficaria em um ponto, vigiando uma boca de fumo.

Escondido atrás de vidros com uma película preta, Fabri levava uma escopeta com balas de borracha, caso houvesse confusão na ação. Colocou o colete à prova de balas, arrumou o estojo de primeiros socorros e ajeitou a pistola na cintura. Sobre o painel do carro, um binóculo e luvas. “Sob a proteção de Deus iremos e retornaremos”, disseram os policiais em voz alta ao saírem do quartel.

Sem ar-condicionado, teriam de ficar parados debaixo do sol e fechados nos carros, vigiando durante horas. Os primeiros 15 minutos foram fáceis. Depois, o ar começou a pesar, o suor a escorrer pelo rosto e a camisa a colar no corpo, debaixo do colete à prova de balas. Tudo ficou abafado. Para não despertar a suspeita de quem passava ao lado, o silêncio tinha de ser absoluto. A 50 metros dali, homens do tráfico de drogas vigiavam.

Investigar, localizar o suspeito e prender é uma rotina para o capitão Ricardo Salvi, que estava com o major. Ele se lembra de um desses casos: “O policial estava com a mulher e a filha na cadeirinha, no banco traseiro, quando foi abordado na zona sul. Ele não reagiu porque estava com a família.” Apenas um dos bandidos estava armado, mas sua pistola desmuniciada, sem carregador.

O assaltante revistou as vítimas e achou a arma do policial. “A mulher disse ao ladrão: ‘Pelo amor de Deus, não mata meu marido’. E o bandido respondeu: ‘Fique tranquila. A gente não vai matar seu marido. A gente só vai dar um tiro na cabeça dele’. Ele matou o policial com a arma do PM.” Poucas horas depois, Salvi capturou os ladrões em um apartamento na zona sul. Estavam com o celular, a arma e os documentos do policial assassinado.

No dia 6 de setembro, a vigilância acabou às 17 horas. Salvi chamou o major pelo rádio. “Chefe, acho que podemos recolher o pessoal. Nosso ‘colaborador’ não apareceu.” Fabri concordou. “Um dia a gente pega esse cara. Temos paciência.”

fonte: O Estado de São Paulo